segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A inconstitucionalidade da Lei da Ficha Limpa

Mais uma vez, penso como o Ministro Gilmar Mendes; em minha opinião, um dos nossos melhores constitucionalistas... Me lembrei de um artigo que escrevi em julho de 2010, e posto abaixo:


Lei Complementar 135 
A intenção, a real aplicabilidade e o risco da Lei da Ficha Limpa

Muito se discute atualmente acerca da Lei da Ficha Limpa, que, apesar de em vigor, já demonstrou ter nascido, como muitas, repleta de brechas.
É importante deixar claro que o posicionamento aqui defendido não é contra ou a favor da referida Lei, e sim uma análise da constitucionalidade da mesma e especialmente, do poder de escolha dos cidadãos.
Um país democrático deve respeitar as escolhas de seu povo, ainda que sejam consideradas por alguns, escolhas ruins.
É recorrente encontrarmos, entre aqueles que defendem a Lei da Ficha Limpa, o argumento de que, para se assumir um cargo público no país, um dos pré-requisitos é a não existência de antecedentes criminais.
E mais, há os que dizem que não se admite quem tem a “ficha suja” em qualquer emprego, seja ele público ou privado.
Ocorre que, ao defender tal tese, esquece-se que os cargos políticos são completamente diferentes de todos os outros cargos e empregos que conhecemos, a começar pelo “empregador”, qual seja, a sociedade.
O povo é livre para fazer as suas escolhas políticas, e os processos judiciais, em sua maioria, são de caráter público, permitindo assim a ampla consulta aos antecedentes criminais de qualquer que se candidate a um cargo eletivo.
Desta forma, o cidadão, ao tomar conhecimento da vida pregressa deste ou daquele candidato, poderá decidir se quer ser representado e governado por alguém que já cometeu crimes ou responde a processo criminal, ou terá o direito de optar por não votar neste tipo de candidato.
Aliás, como sempre ocorreu.
É direito fundamental de todos os cidadãos brasileiros, sejam eles políticos ou não, o de não serem considerados culpados sem o devido processo legal. Conforme inciso LVII do art. 5º da Constituição Federal: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”
Impedir um cidadão de se candidatar pelo fato de já ter sido condenado por decisão colegiada que ainda não transitou em julgado, é ato atentatório aos direitos fundamentais dos brasileiros, é ofensa direta à Constituição.
Pior que isso, esse impedimento cerceia a liberdade do povo, que “julga” pelos seus próprios motivos os candidatos, que dá seus próprios pareceres como cidadãos que são, exercendo o simples direito à democracia, que não pode novamente ser retirado dos mesmos, tal qual ocorreu nos tempos da ditadura.
Enquanto uma sentença não transitar em julgado, não há que se falar em certeza. No mundo do Direito, surgem novas interpretações a cada dia. Não fosse isso, não seria uma ciência humana.
Há que ressaltar ainda que a nova Lei pode permitir facilitar aqueles políticos que pretendem agir de má-fé, visando acusar seus candidatos concorrentes, com a esperança de que sejam os mesmos condenados por decisão colegiada e impedidos de serem votados.
O que se conclui, após esta breve exposição de prós e contras, é que a intenção da Lei da Ficha Limpa é boa, porém a sua aplicação pode não fazer diferença, tendo em vista as decisões que já começaram a ser proferidas pelo STF, permitindo a candidatura de alguns, e pior, pode a Lei ser utilizada para fins ilícitos, talvez mais ilícitos ainda do que aqueles que, porventura, geraram a condenação desses candidatos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O estilista que achou Adele "um pouco gorda demais"...

Me deparei com essa "notícia" hoje na internet, e fiquei nada menos que indignada!
Quem esse cara pensa que é para dar esse tipo de opinião sobre o corpo/peso de alguém?
Eu sei que ele é o bambambam da Chanel, Fendi, etc., porém, penso que apesar de trabalhar com moda, viver de moda, ser um ícone no mundo da moda, este senhor não possui um simples espelho em casa!
Gordo? Obviamente não, pois, se assim o fosse, jamais teceria comentário tão desnecessário... Feio? Sim! Antipático? Também! Com ideias ultrapassadas sobre beleza? Com certeza!
No mundo atual, em que luta-se a cada dia contra a anorexia e outros distúrbios alimentares, chega a ser perigoso que alguém com tanta influência sobre moda solte um comentário desses.
Não basta que o rosto de Adele seja lindo e sua voz seja espetacular? Para esse senhor, ela anda "um pouco gorda demais"...
Sendo assim, as meninas que podem ter belas vozes, ou não, acreditarão que para serem aceitas no mundo precisarão ser sempre magrelas, como a maioria das modelos esqueléticas que vemos por aí, nos desfiles desse tipo de estilista... 
E não adianta dizer que só seguirá esse rumo quem for influenciável, sem personalidade... Na adolescência, todos somos um pouco influenciáveis, deslocados, em busca de um lugar ao sol...
É desesperador imaginar que Adele, com aquela voz deslumbrante, e beleza - Porque não? É bonita sim!!! - seja criticada de uma maneira tão baixa como o fez esse estilista... Se ela não pode ser acima do peso "ideal", quem é que pode?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Era do Namoro Hi-Tech

É estranho pensar em como as coisas acontecem rápido nos dias atuais... Você vê uma foto no Facebook, se interessa, passa a se corresponder com a pessoa dona da foto pelo Skype, se apaixona e começa a namorar... Às vezes, o pedido oficial de namoro é feito por e-mail, e não pessoalmente. Sabe? Escrever é mais fácil, nem precisa olhar nos olhos! Enfim...
Começa o relacionamento, mas grande parte dele, digamos, uns 80%, se passa no mesmo local em que começou, qual seja, a internet. São mensagens e mais mensagens de amor, tuitadas, entregues em tempo real, todas elas escritas, mas em linguagem cibernética. De repente, um sinal sonoro e surge uma nova mensagem em seu celular... Que bela declaração de amor! E quando você abre o seu e-mail, vê que acaba de receber flores! Em plena segunda-feira de manhã! Nada mais romântico...
Os problemas surgem quando os enamorados começam a dar falta do contato real, absolutamente necessário para que um relacionamento amoroso prossiga normalmente. Conversar com o seu amor, se declarar olhando nos olhos, receber uma carta escrita com sua letra e com um pouquinho do seu perfume... Tudo isso é imprescindível para que o sentimento perdure, para que a chama seja mantida acesa!
Hoje em dia, até sexo as pessoas estão fazendo pela internet! Cadê os abraços, os beijos, os olhares? Será que as pessoas não precisam mais disso? Ou será que esse é exatamente o grande problema? As pessoas se afastaram e se afastam cada vez mais umas das outras, escondendo-se atrás de telas de computadores e celulares, esquecendo-se de que o ser humano precisa do seu igual, até por uma questão de sobrevivência. Ninguém vive sozinho... Não por muito tempo!
P.S. Escrevi esse texto em julho de 2009, mas agora dei uma adaptada, pois muita coisa já mudou de lá pra cá. A tecnologia avança bem mais rápido que os próprios humanos...


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Somewhere in Time...

Às vezes eu sinto uma vontade enorme de ser como o Cristopher Reeve no filme “Em algum lugar do passado” (“Somewhere in time”). Queria viajar para algum lugar, outro tempo, outras pessoas, outros sentimentos, outros amores (ou, pelo que acredito, o mesmo amor, mas em uma vida passada, em que nos entendemos melhor, fomos mais felizes, menos preocupados...). Tínhamos o nosso amor como foco principal e o resto do mundo que se danasse! Hoje em dia, tudo é difícil. Embora as coisas já “nasçam” prontas e nossa geração tenha crescido com todas as facilidades, me parece que antigamente os sentimentos eram mais puros e mais importantes para as pessoas. Aliás, tudo era mais importante que as “coisas”. As pessoas tinham ideais e lutavam por eles, não aceitavam absurdos, não abaixavam as cabeças nem fechavam os olhos diante da corrupção, da desonestidade, da puxada de tapete dos “espertinhos” contra os bons, os corretos.  Em épocas não tão remotas, parecia mais fácil dividir o mundo entre o lado do bem e o lado do mal, como nas histórias de super-heróis. Hoje, o que mais vemos são anti-heróis, maçãs podres contaminando todo o cesto, pessoas boas sendo ameaçadas e obrigadas a entrar em “festinhas ou ‘oba-obas'” dos quais nunca quiseram participar. Ainda há os que tentam modificar essa situação, seguindo o exemplo daqueles que, bravamente, lutaram por seus ideais. Mesmo que sejam expulsos aos poucos da “cena principal” e acabem ficando de fora no final, quem luta com eles e possui os mesmos ideais jamais esquecerá seus esforços e tentativas e se inspirará neles quando chegar a sua vez! (Escrito em junho de 2009)